Relatório de Emprego dos EUA: Surpresa à vista?


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Investing.com – O Relatório de Emprego dos EUA, uma das estatísticas mais influentes sobre os mercados bolsistas mundiais e forex, será divulgado esta sexta-feira para os dados de Julho, e os investidores têm estado expectantes há vários dias em antecipação a este evento.

Oficialmente, o consenso do Investing.com é de 750.000 novos empregos a serem criados em Julho, muito abaixo dos 943.000 registados no mês anterior. No entanto, há algumas indicações de que se espera uma surpresa negativa para o emprego nos EUA nesta sexta-feira.

O relatório da ADP é um mau pressagio?

Em primeiro lugar, o relatório de Variação de Empregos Privados ADP divulgado na quarta-feira, que é semelhante ao relatório de emprego e por vezes considerado um indicador importante deste último, foi uma grande desilusão. De facto, o relatório mostrou apenas 374k empregos criados, contra 613k previstos.

Contudo, é de notar que o relatório da ADP não tem sido muito bom a prever as surpresas nos últimos tempos. Em Maio, o relatório da ADP excedeu as expectativas, mas o relatório de emprego dececionou. Em Junho, ambos os relatórios excederam as expectativas, mas voltaram a divergir em Julho, quando o ADP dececionou e o relatório de emprego surpreendeu positivamente.

Uma vasta gama de previsões bancárias

No que diz respeito às previsões de criação de emprego dos maiores bancos, notamos que são muito díspares:

Bank of America (NYSE:): 600k

Goldman Sachs (NYSE:): 600k

JPMorgan (NYSE:): 625k

Commerzbank (DE:): 650k

Morgan Stanley (NYSE:): 730k

Société Générale (PA:): 825k

ING (AS:): 900k

Deutsche Bank (DE:): mais de 1 milhão

UBS (NYSE:): 1 milhão

Citibank: 1,15 milhões

Tendo em conta todas as previsões dos bancos, incluindo as não mencionadas nesta lista, o intervalo é de 400k a 1,15 milhões para a previsão de criação de emprego. Este é um intervalo de previsão invulgar para o relatório de emprego, o que confirma uma elevada probabilidade de surpresa.

Como irão reagir os mercados?

Um relatório dececionante, que seria fundamentalmente uma má notícia para a economia dos EUA, poderia ser interpretado principalmente como uma indicação de que o Fed não terá pressa em retirar o seu apoio à economia. Paradoxalmente, isto poderia, portanto, impulsionar as ações.

Por outro lado, no mercado Forex, esta perspetiva penalizaria o dólar, o que poderia beneficiar o par em particular.

O contrário é verdade para uma surpresa positiva no relatório, o que poderia levar os traders a temer a intervenção do Fed em vez de celebrarem as boas notícias para a economia dos EUA.