EUA: Taxa de desemprego de volta a valores pré-COVID


© Reuters. EUA: Taxa de desemprego de volta a valores pré-COVID

No passado dia 6 de Maio, o US Bureau of Labor Statistics partilhou a mais recente actualização da taxa de desemprego dos Estados Unidos da América.

Os dados disponibilizados, relativamente a Abril de 2022, detalham uma taxa de desemprego que se mantém nos 3,6%, ligeiramente superior às expectativas (3,5%), mas igual à do mês anterior. No total, são 5,9 milhões de americanos sem emprego.

Atingindo valores pré-COVID

Os valores apresentados em Abril de 2022 começam a aproximar-se dos valores anteriores à pandemia e apresentam um contraste drástico para os de Abril 2021. Nomeadamente, enquanto em Fevereiro de 2020 rondavam os 3,5% (5,7 milhões de desempregados), em Abril de 2021 atingiram 6% (9,7 milhões).

Contudo, ainda são aparentes algumas marcas da pandemia: em Abril de 2022 o número de desempregados de longa duração (mais de 27 semanas) ronda os 1,5 milhões. Ou seja, mais 362 mil do que em Fevereiro de 2020.

Fonte: Investing

Adicionalmente, o número de empregados em profissões não-agrícolas desceu 1,2 milhões, ou 0,8%, desde o início da pandemia.

Apesar desta regressão, as vagas profissionais atingiram números recorde. Existem hoje, 11,5 milhões de posições por preencher e foram adicionados 428.000 novos empregos à economia americana. Estes números marcam o 11º mês consecutivo em que mais de 400.000 novas vagas foram criadas.

Estes valores estão principalmente alicerçados na gradual diluição das restrições, tendo já sido recuperadas 95% das vagas perdidas devido ao COVID-19. Porém, estima-se que estes números irão abrandar em breve.

Mercado Laboral contrai a par da alta inflação

Esta expectativa tem em conta o aumento moderado dos salários (5,5% nos últimos 12 meses), o aumento da inflação – que vem ampliar os custos de estrutura dos empregadores – e a escassez de trabalhadores dispostos a entrar no mercado.

“O mercado de trabalho está extremamente apertado e a inflação está demasiado alta”

Jeremy Powell, presidente da Reserva Federal, numa conferência de imprensa a 4 de Maio.

Reconhecendo que há um desequilíbrio claro entre a oferta e a procura de emprego, Powell indicou ainda que a Reserva Federal irá tomar medidas a fim de reduzir o actual excesso de oferta profissional.

Com a inflação a níveis não vistos há 40 anos, os empregadores serem obrigados a aumentar os salários para atrair trabalhadores apenas pressiona ainda mais a já flagrante inflação, o que explica a preocupação da Reserva Federal.

Uma tarefa complicada para a Reserva Federal

A par da inflação, do PIB e outros indicadores, a taxa de desemprego é um dos mais cruciais indicadores da saúde de uma economia.

Estando a inflação a atingir níveis preocupantes, as vendas de novas casas a abrandar consecutivamente, o PIB ligeiramente abaixo do período homólogo e o mercado do trabalho a passar por um excedente de oferta, a Reserva Federal terá de decidir cuidadosamente o seu próximo passo.

A Reserva Federal já agiu para reduzir a inflação através do aumento de 0,5% das taxas de juro e espera acalmar o mercado de trabalho gradualmente sem que exista um grande salto no desemprego, mas há quem tema que estas medidas preventivas mergulhem o país numa recessão.

Todos estes factores adicionados à profunda incerteza proveniente de toda a paisagem geopolítica e internacional provocaram uma das maiores quedas no desde 2020, caindo mais de 1000 pontos no dia 5.

É neste panorama traiçoeiro como areia movediça, onde um passo em falso pode significar a submersão ou asfixia, que a Reserva Federal necessita de ponderar criteriosamente o melhor caminho a seguir de forma a que a maior economia ocidental possa emergir sã e salva da intempérie que neste momento é apresentada à sua frente.