Bolsas seguem ‘nervosas’ com surto do coronavírus


© Reuters.

As principais bolsas europeias voltaram hoje a demonstrar o seu ‘nervosismo’ face ao surto do coronavírus. Depois das quedas acentuadas de segunda-feira, novas descidas nesta terça-feira.

Em Paris, o índice caiu 1,94%, o de Frankfurt baixou 1,88 e nem o da Bolsa de Lisboa escapou à toada geral a nível europeu, ao perder 2,28%.

O impacto económico do novo vírus começa a ser assumido a nível político. Foi o caso do ministro francês da economia e das finanças, Bruno Le Maire, que admitiu efeitos negativos sobre o crescimento económico internacional.

“O coronavírus está a afetar os mercados bolsistas internacionais. A nossa estimativa é de que o coronavírus vai ter um impacto no crescimento mundial e no crescimento europeu. A epidemia de covid-19 veio mudar a realidade a nível global”, afirmou.

Um dos setores que mais está a sofrer com a expansão internacional do surto é o mercado dos bens de luxo. De acordo com um estudo realizado pela associação de empresas de luxo italianas, em conjunto com a Boston Consulting Group, o setor pode perder entre 30 a 40 mil milhões de euros em 2020.

A pesar nos números estão o elevado número de lojas fechadas na China, bem como as restrições na circulação de turistas. O receio também se faz já sentir nos Estados Unidos da América, onde Wall Street viveu na segunda-feira o pior dia dos últimos dois anos. Um cenário de queda na bolsa norte-americana que continuou esta terça-feira com novas perdas.

Coronavírus ‘afunda’ principais bolsas mundiais


© Reuters.

Mais um dia de nervos em Wall Street por causa do coronavírus. Depois do pior dia em dois anos, a bolsa americana voltou a cair esta terça-feira, com o índice a perder 3,14%.

Já o S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas, caiu 3,02%, enquanto o índice tecnológico baixou 2,77%.

A bolsa até abriu a recuperar das perdas da véspera, mas o alerta das autoridades americanas para a inevitável chegada do surto de Covid-19 aos Estados Unidos da América lançou o pânico entre os investidores.

A situação é igual à das maiores praças europeias e o ministro francês da Economia e das Finanças já deixou um aviso para o impacto sobre o crescimento económico mundial.

As principais bolsas europeias fecharam todas esta terça-feira no vermelho.

A impulsionar os receios dos mercados face ao coronavírus esteve também o alerta da Organização Mundial de Saúde, que admitiu que o mundo “não está pronto” para enfrentar uma pandemia do novo vírus.

BOM DIA-Abertura Noticiário Financeiro Reuters


© Reuters. BOM DIA-Abertura Noticiário Financeiro Reuters

LISBOA, 26 Fev (Reuters) – Bom dia! Eis os principais eventos a ter em atenção hoje.

PSI20 PORTUGAL:

O índice PSI20 fechou a cair 2,29 pct com fortes quedas dos pesos pesados, como Millennium bcp e EDP , dado que os investidores estão preocupados com o alastar do coronavírus a nível global, nomeadamente para Itália, segundo dealers.

* Reflectindo a tendência europeia como um todo, o STOXX 600 , que segue as 600 maiores cotadas da região, caiu 1,82 pct. O Eurofirst 300 desceu 1,81 pct, enquanto o STOXX 50 , que segue um conjunto mais restrito de ‘blue chip’, perdeu 1,88 pct.

As acções europeias perderam nesta terça-feira, mesmo após registarem as suas piores quedas desde Junho de 2016 na sessão anterior, depois de Itália ter revelado que está a enfrentar o pior surto de casos de coronavírus na Europa, relatando 220 casos e sete mortos. NACIONAL:

* Comissão de Assuntos Europeus​ recebe, em audição, o ​Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ​para debater a política geral do Ministério e outros assuntos de atualidade, incluindo um ponto sobre as conclusões do Conselho Europeu de 20 de Fevereiro​​​, às 1030 horas.

* Comissão de Orçamento e Finanças recebe, em audição, o Presidente do Fundo de Resolução do Novo Banco, Luís Máximo dos Santos, às 0900 horas.

AGENDA INTERNACIONAL ECONÓMICA E POLÍTICA (Hora local):

* WIESBADEN, Alemanha – Visita da Presidente do BCE Christine Lagarde a Volker Bouffier em Wiesbaden, Alemanha – 1330 GMT.

* FRANKFURT – Discurso de abertura do membro do conselho do BCE, Fabio Panetta, em uma conferência conjunta do Deutsche Bundesbank, BCE, Fed Chicago, sobre gerenciamento central de risco de contraparte em Frankfurt, Alemanha – 0800 GMT.

* AUSTIN, Texas – O presidente do Federal Reserve Bank de Dallas, Robert Kaplan, discursa antes do Sistema de Aposentadoria de Professores e Sistema de Aposentadoria de Funcionários da Conferência de Gerente Emergente do Texas – 1445 GMT.

* LONDRES – Diretor Executivo de Mercados do Bank of England, Andrew Hauser Participa do ISDA / SIFMA AMG Benchmark Strategies Forum 2020, Londres – 0900 GMT.

* OSLO – Reunião do café da manhã com o vice-governador do Banco Central da Noruega, Egil Matsen, em conversa com Gunnar Bovim, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia – 0700 GMT.

* MINEÁPOLIS, Estados Unidos – O presidente do Federal Reserve Bank de Minneapolis, Neel Kashkari, fala sobre “O que você talvez não saiba sobre o Federal Reserve de Minneapolis” antes do Fórum de Negócios do Minneapolis Downtown Council, em Minneapolis, Minnesota – 1800 GMT

* ESTOCOLMO – O governador do Riksbank, Stefan Ingves, visita a para falar sobre a evolução do mercado de pagamentos – 0800 GMT.

* OTSU, Japão – Goushi Kataoka, membro do conselho do Banco do Japão, discursa em Otsu, oeste do Japão

* CIDADE DO MÉXICO – O presidente do Federal Reserve Bank de Chicago, Charles Evans, participa das reuniões do programa de delegação do Global Interdependence Center na Cidade do México, México (até 28 de Fevereiro).

* PEQUIM – O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, mantém uma conferência de imprensa conjunta com a sua homóloga sérvia Ivica Dacic em Pequim. – 0330 GMT

* NOVA DELI – O presidente de Mianmar, Win Myint, visita a Índia na próxima semana numa visita de quatro dias – (até 29 de Fevereiro).

* GENEBRA, Suíça – O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad Al-Maliki, realiza uma conferência de imprensa sobre a rejeição do “acordo do século” – 0900 GMT

* BRUXELAS – O vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis apresenta o pacote de inverno do semestre da UE em Bruxelas.

* HONG KONG, China (PRC) – O secretário financeiro de Hong Kong, Paul Chan, discursa sobre o orçamento anual da cidade, enquanto o centro financeiro internacional enfrenta recessão em meio a uma grande crise política e um surto de coronavírus.

* PRAGA – Ministros das Relações Exteriores da República Tcheca, Eslováquia, Polónia e Hungria se reúnem com seus colegas dos países dos Balcãs Ocidentais em Praga (até 27 de fevereiro)

* Confiança Consumidor França Fevereiro (0845)

* Unidades vendidas de novas habitações EUA Janeiro (1600)

* Balança Comercial Nova Zelândia Janeiro (2245)

AGENDA INTERNACIONAL EMPRESAS:

* Public Storage (NYSE:) Resultados

* Saipem SpA Resultados

* Adecco Group AG Resultados

* Solvay (BR:) SA Resultados

* Rio Tinto (LON:) plc Resultados

* Grandvision NV Resultados

* Danone SA (PA:) Resultados

* Suez SA Resultados

* Peugeot SA Resultados

* Wolters Kluwer NV Resultados

* Iberdrola (MC:) SA Resultados

* Thales SA Resultados

* Edenred SA Resultados

* Red Electrica Corporacion SA Resultados

* Biomerieux SA Resultados

* Taylor Wimpey plc Resultados

* Marriott International, Inc. Resultados

* Booking Holdings Inc.Resultados

* Carvana Co Resultados (Por Lisboa Editorial)

AGENDA PORTUGAL-Noticiário Financeiro Reuters


AGENDA PORTUGAL-Noticiário Financeiro Reuters

FEVEREIRO

* Comissão de Assuntos Europeus​ recebe, em audição, o ​Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ​para debater a política geral do Ministério e outros assuntos de atualidade, incluindo um ponto sobre as conclusões do Conselho Europeu de 20 de Fevereiro​​​, às 1030 horas.

* Comissão de Orçamento e Finanças recebe, em audição, o Presidente do Fundo de Resolução do Novo Banco, Luís Máximo dos Santos, às 0900 horas.

* INE divulga Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores (Fevereiro 2020); Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação (Janeiro 2020).

* Reunião do Conselho de Ministros descentralizado em Bragança.

* INE divulga Estimativa Rápida do IPC/IHPC (fevereiro 2020); Contas Nacionais Trimestrais (4.º trimestre 2019).

* Pharol (LS:) apresenta resultados de 2019.

* International Club of Portugal promove Almoço – Debate com o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

MARÇO

* INE divulga Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego de Janeiro de 2020.

* Impresa apresenta resultados do ano de 2019, após o fecho do mercado.

* Corticeira Amorim apresenta resultados do ano de 2019, após fecho do mercado.

* INE divulga Índice de Preços no Consumidor de Fevereiro de 2020 e Estatísticas do Comércio Internacional de Janeiro de 2020.

* INE divulga Atividade Turística de Janeiro de 2020 e Atividade dos Transportes no quarto trimestre de 2019.

* CTT (LS:) apresentam resultados de 2019, após fecho do mercado.

* IGCP realiza leilão de Bilhetes do Tesouro, com maturidades a 6 e 12 meses, num montante indicativo entre 1.250 milhões de euros e 1.500 milhões de euros.

* Sonae apresenta resultados do ano de 2019, antes da abertura do mercado.

* REN apresenta resultados do ano de 2019, após fecho do mercado.

* EDP (SA:) Renováveis realiza Assembleia Geral de Accionistas.

ABRIL

* Galp Energia divulga Trading Update do primeiro trimestre de 2020.

* Ibersol apresenta resultados de 2019.

* Jerónimo Martins divulga resultados do primeiro trimestre de 2020.

* Assembleia Geral anual de accionistas da Galp Energia.

* Galp Energia e Navigator divulgam resultados do primeiro trimestre de 2020.

* Semapa apresenta resultados do primeiro trimestre de 2020.

* CTT apresentam resultados do primeiro trimestre de 2020, após fecho do mercado.

* REN, EDP e EDP Renováveis apresentam resultados do primeiro trimestre de 2020.

* Corticeira Amorim apresenta resultados do primeiro trimestre de 2020.

* Millennium bcp apresenta resultados do primeiro trimestre de 2020.

* Sonae apresenta resultados do primeiro trimestre de 2020, após fecho do mercado.

* Ibersol apresenta resultados do primeiro trimestre de 2020.

JULHO

* Navigator apresenta resultados do primeiro semestre de 2020, após fecho do mercado.

* REN apresenta resultados do segundo trimestre de 2020, após fecho do mercado.

* Semapa (LS:) apresenta resultados do primeiro semestre de 2020.

SETEMBRO

* Ibersol apresenta resultados do primeiro semestre de 2020, após fecho do mercado.

OUTUBRO

* Navigator apresenta resultados do terceiro trimestre de 2020, após fecho do mercado.

* Semapa apresenta resultados do terceiro trimestre de 2020, após fecho do mercado.

NOVEMBRO

* REN apresenta resultados do terceiro trimestre de 2020, após fecho do mercado.

* Ibersol apresenta resultados do terceiro trimestre de 2020, após fecho do mercado.

(Por Lisboa Editorial)

Mercados monetários Zona Euro precificam corte taxa BCE até Dezembro


© Reuters. Mercados monetários Zona Euro precificam corte taxa BCE até Dezembro

LONDRES, 26 Fev (Reuters) – Os mercados monetários da Zona Euro começaram esta quarta-feira a precificar um corte na taxa de juro do Banco Central Europeu em Dezembro, com a propagação do coronavírus fora da China a impulsionar os traders a aumentarem as expectativas de mais estímulos.

Os futuros do mercado monetário da Eonia datados da reunião do BCE de 10 de Dezembro mostram agora um cortes de cerca de 10 pontos base nas taxas a serem precificados, acima de cerca de 7,5 pontos base na segunda-feira ECBWATCH. Isto equivale a uma probabilidade total de um corte de 10 pontos de base por parte do banco.

A probabilidade de um corte na taxa do BCE em Julho também aumentou significativamente, de 50% na segunda-feira para cerca de 70%.

O pior surto do vírus na Europa, em Itália, aumentou receios de de que a sua economia em contracção possa em breve entrar em recessão.

A Ásia relatou centenas de novos casos de coronavírus na quarta-feira, incluindo o primeiro soldado norte-americano a ser infectado, tendo os EUA advertido para uma pandemia inevitável.

As expectativas de um corte de taxas aumentaram nos mercados monetários nas últimas semanas, enquanto os analistas tentam avaliar a extensão do impacto económico que o coronavírus pode ter e o apoio necessário para mitigá-lo.

Texto integral em inglês: Yoruk Bahceli; Traduzido para português por Patrícia Vicente Rua)

Mercados apostam em corte de juros pelo BCE devido disseminação de coronavírus


© Reuters. Mercados apostam em corte de juros pelo BCE devido disseminação de coronavírus

Por Yoruk Bahceli

LONDRES, 26 Fev (Reuters) – Os mercados monetários da zona do euro começaram a precificar totalmente nesta quarta-feira um corte em dezembro na taxa de juros do Banco Central Europeu, com a disseminação do coronavírus fora da China levando os operadores a aumentar as expectativas de mais estímulos.

Os futuros do mercado monetário Eonia, com data para a reunião de 10 de dezembro do BCE, mostraram cerca de 10 pontos base de cortes precificados. Isso representa um aumento de cerca de 7,5 pontos na segunda-feira ECBWATCH e indica uma probabilidade de 100% de um corte de 10 pontos nesse momento.

A probabilidade de um corte em julho subiu para cerca de 70%, de 50% na segunda-feira.

Os operadores estão precificando mais de dois cortes de juros pelo Federal Reserve até o final do ano FEDWATCH e um corte pelo banco central britânico até setembro BOEWATCH .

O membro do BCE François Villeroy de Galhau disse na terça-feira que atualmente não há necessidade de mais ações de política monetária diante do surto de coronavírus.

O rendimento dos títulos alemães de 10 anos chegou a subir 4 pontos base, para -0,47%, recuperando-se das mínimas de 4 meses e meio atingidas anteriormente por preocupações relacionadas ao coronavírus.

(Reportagem de Yoruk Bahceli)

Mercados contagiados pelo coronavírus


© Reuters.

O surto de coronavírus tem sido uma verdadeira dor de cabeça para as autoridades sanitárias por esse mundo fora mas as ondas de choque não se fazem sentir apenas na saúde pública. Também os mercados se deixaram contagiar e os primeiros sintomas já se notam na economia mundial.

Peter Cardillo, economista-chefe da Spartan Capital Securities, sublinha que “cada vez mais empresas estão a começar a avisar que os rendimentos vão ser afetados, por isso podemos estar perante um trimestre muito complicado em termos financeiros.”

A gigante das bebidas, Diageo (LON:), já admitiu que os lucros vão cair este ano devido ao encerramento de bares e restaurantes na China. No entanto há quem esteja pior e sem conseguir ver uma luz ao fundo do túnel. É o caso do setor das viagens.

De acordo com Seth Sutel, da Associated Press “o sector das viagens tem sido arrasado devido aos receios de propagação do vírus e as restrições às viagens ainda vão aumentar. Muitas companhias aéreas já acabaram com os voos para a China, mas agora também temos focos de infeção na Europa e no Médio Oriente.”

De acordo com a Comunicação Social alemã, a Lufthansa (DE:) está já a considerar algumas medidas de poupança, como a suspensão de novas contratações, para combater as perdas provocadas pela epidemia.

Austeridade, crescimento e fiscalidade na UE


© Reuters.

Após uma década centrada na redução da despesa pública, a questão que se coloca hoje, em Bruxelas, é saber se a austeridade excessiva é uma ameaça ao crescimento.

A Comissão Europeia pode sancionar os países que não respeitam o limite do défice orçamental e da dívida, mas não pode forçar um país a investir. Alguns países como a Alemanha, a Holanda e a Finlândia têm sido pressionados a aumentar a despesa, porque possuem margem orçamental suficiente para aumentar ou reduzir os impostos, sem por em causa a estabilidade das finanças públicas.

Comissário Europeu propõe revisão da fiscalidade na UEDe acordo com o Eurostat, em 2018, apenas dois países da União Europeia ultrapassaram o limite de 3% de défice orçamental (a Roménia e Chipre). No entanto, vários países registam um nível de endividamento considerado elevado por Bruxelas. Por exemplo, as dívidas da França, da Bélgica, da Itália, de Espanha, da Grécia e Portugal andam perto ou são superiores a 100% do PIB.

Em entrevista à euronews, o novo Comissário Europeu para a Economia defendeu uma revisão da fiscalidade europeia. “Em primeiro lugar, trata-se de tornar as regras mais simples, porque a cada ano que passa as regras são mais complexas. Em segundo lugar, devemos contribuir, numa fase de baixo crescimento, como a que vivemos hoje, para uma política fiscal mais expansionista. Em terceiro lugar, é preciso incentivar o investimento”, frisou Paolo Gentiloni. “A Comissão Europeia recomenda há vários anos, que o excedente fiscal seja canalizado para o investimento”, acrescentou o responsável.

Está na hora de mudar a fiscalidade europeia?


© Reuters.

Será a altura certa para mudar as regras europeias em matéria de impostos e despesa? Muitos peritos, ministros das finanças e responsáveis europeus defendem uma nova fiscalidade europeia adaptada à era atual de crescimento lento.

De acordo com o Eurostat, em 2018, apenas dois países da União Europeia ultrapassaram o limite de 3% de défice orçamental (a Roménia e Chipre). No entanto, vários países registam um nível de endividamento considerado elevado por Bruxelas. Por exemplo, as dívidas da França, da Bélgica, da Itália, de Espanha, da Grécia e Portugal andam perto ou são superiores a 100% do PIB.

Austeridade excessiva ameaça crescimento?A Comissão Europeia pode sancionar os países que não respeitam o limite do défice orçamental e da dívida, mas não pode forçar um país a investir. Alguns países como a Alemanha, a Holanda e a Finlândia têm sido pressionados a aumentar a despesa, porque possuem margem orçamental suficiente para aumentar ou reduzir os impostos, sem por em causa a estabilidade das finanças públicas. Após uma década centrada na redução da despesa pública, a questão que se coloca hoje é saber se a austeridade excessiva é uma ameaça ao crescimento.

Alemanha pressionada a gastar maisEm 2019, a Alemanha registou um excedente orçamental de 1,2%, o que representa 13,5 mil milhões de euros de receitas fiscais não utilizadas. Esse excedente, que deverá perdurar pelo menos até 2021, foi possível graças a um política fiscal severa, que alguns classificam como excessivamente austera. Recentemente, o FMI e a Comissão Europeia apelaram à Alemanha para investir o excedente orçamental na economia real.

“Não há qualquer razão que impeça que um investimento público de 1 ou 2% do PIB por ano, seja financiado pelo endividamento. Esse investimento ajudaria outros países europeus porque alguns dos bens que a Alemanha compraria seriam importados”, disse à euronews Andrew Watt, economista do Hans-Böckler-Stiftung.

Berlim prevê investimento na rede ferroviáriaA rede ferroviária alemã é um exemplo de um setor que precisa de investimento. Um estudo recente indica que a Alemanha sofre de um atraso significativo ao nível da reparação das infraestruturas ferroviárias e que é necessário investir 50 mil milhões de euros no setor.

“Trata-se de recuperar o atraso acumulado e modernizar as vias férreas. O número de passageiros deverá aumentar de forma massiva nos próximos anos. O que obriga lançar novas obras e expandir a infraestrutura. A situação é idêntica para o transporte de mercadorias, um setor onde se preveem mudanças importantes”, afirmou Torsten Westphal, Presidente do EVG, o sindicato dos Trabalhadores da Ferrovia e Transportes.

O governo alemão e a companhia férrea Deutsche Bahn decidiram investir 86 mil milhões de euros ao longo dos próximos dez anos para modernizar a rede ferroviária. “A ferrovia é apenas um dos setores que precisam de investimento público na Alemanha. Mas, os 86 mil milhões de euros são vistos como um primeiro passo que deverá permitir a criação de emprego, favorecer o frete ferroviário entre a Alemanha e os parceiros comerciais e estimular o crescimento.

Num contexto de emergência climática, o investimento na ferrovia poderá ter outra vantagem: diminuir as viagens de avião e as emissões de CO2.

euronews

Gentiloni defende alteração da política fiscal europeiaA Euronews entrevistou o novo comissário europeu para a economia. Paolo Gentiloni defende uma alteração da política fiscal dos 27.

euronews: Muito obrigado por estar connosco. Há um debate em torno da necessidade de reforma as regras europeias em matéria de fiscalidade? Porque razão é necessária essa reforma? O que está em causa?

Paolo Gentiloni: “Essas regras foram elaboradas no contexto da maior e mais perigosa crise económica europeia, após a segunda guerra mundial. Agora estamos num momento diferente. Houve seis anos de crescimento contínuo, mas ao mesmo tempo esse crescimento está a desacelerar. Não queremos uma revolução, mas penso que as regras devem ser adaptadas à nova situação em que nos encontramos”.

euronews: “Essa mudança põe em causa os objetivos fiscais da UE?”

Paolo Gentiloni: “Não, não se trata de rediscutir os objetivos da política fiscal. Os objetivos fiscais estão nos nossos tratados, os célebres 3% e 60% não são algo que se possa mudar como quem muda de roupa. A ideia é ter três objetivos diferentes. Em primeiro lugar, tornar as regras mais simples, porque a cada anos que passa as regras são mais complexas. Em segundo lugar, devemos contribuir, numa fase de baixo crescimento, como a que vivemos hoje, para uma política fiscal mais expansionista. Em terceiro lugar, é preciso incentivar o investimento”.

euronews: Atualmente, a Comissão Europeia tem o direito de forçar alguns governos a limitar a despesa, mas não tem o direito de os obrigar a gastar. É algo que deve mudar? Está pronto para convencer os mais irredutíveis a mudar de posição?

Paolo Gentiloni: Num contexto de crescimento muito baixo, como vivemos atualmente, a questão coloca-se mesmo nos países com excedente orçamental. A Comissão Europeia recomenda há vários anos, que esse excedente fiscal seja canalizado para o investimento. Esse estímulo ao investimento teria efeitos não apenas nos países em questão mas em toda a União Europeia.

Penso que vamos rever algumas cláusulas, nomeadamente em relação a uma certa flexibilidade para facilitar o investimento.

Paolo Gentiloni
Comissário Europeu para a Economia

euronews: Pensa que os investimentos preconizados pelo pacto ecológico europeu devem ser excluídos do procedimento por défice excessivo?

Paolo Gentiloni: A ideia de exclusão é talvez uma forma simplista de descrever o caminho que estamos a seguir. Penso que vamos rever algumas cláusulas, nomeadamente em relação a uma certa flexibilidade para facilitar o investimento.

euronews: “Quando é que será possível, realisticamente, chegar um acordo sobre essa questão?”

Paolo Gentiloni: “Depois do verão, vamos tirar conclusões e apresentar propostas”.

euronews: “Isso significa que haverá um compromisso entre os Estados-Membros para uma decisão final?”

Paolo Gentiloni: “Sim. Sem a criação de pontes, sem compromissos, não vamos a lado nenhum”.

Surto de coronavírus afeta turismo em Itália


© Reuters.

No ano passado, a Itália foi considerada o oitavo país em termos de atratividade para turistas pelo Fórum Económico Mundial.

Por estes dias, alguns dos pontos mais turísticos, como a praça em frente à Catedral de Milão, estão desertos.

O vice-presidente da associação hoteleira italiana, Federalberghi, dá conta do impacto negativo que o surto do novo coronavírus está a ter no turismo transalpino. “Desde sexta-feira que há cada vez mais reservas de hotéis canceladas para a Páscoa e para os próximos meses. Os novos casos na Lombardia e em Veneto e reações nos media internacionais significaram cancelamentos mesmo até junho, para todo o território nacional, mas especialmente para o norte do país”, realça Giuseppe Roscioli.

O surto do novo coronavírus cancelou viagens e adiou eventos importantes. “Foi decidido que o Salão do Móvel, um dos mais importantes eventos em Milão, vai ser adiado do final de abril para junho. O Salão do Móvel cria 60 mil empregos temporários”, destaca a correspondente da Euronews em Milão, Marta Brambilla.

O ministro italiano do Desporto, Vicenzo Spadafora, decretou a proibição da realização de eventos desportivos em seis regiões no norte de Itália, mas espera que a medida possa ser alterada em breve. “Vamos monitorizar a situação diariamente, de forma a que um possível prolongamento das medidas atualmente em vigor possa ser tomado antes de 1 de março. No entanto, eu espero que a situação esteja em breve sob controlo e que possamos restringir as áreas, delimitando áreas mais pequenas do que as seis regiões”, desejou.

Em Roma há turistas, embora muitos não escondam o receio do novo coronavírus e recorram a máscaras.