Portugal prolonga moratórias crédito bancário seis meses até Setembro 2021


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Por Sergio Goncalves

LISBOA, 24 Set (Reuters) – O Governo de Portugal anunciou que prolongou a suspensão de pagamento das prestações dos empréstimos bancários pelas empresas e famílias mais seis meses até ao fim de Setembro de 2021, para evitar o disparo do malparado com a pandemia de coronavírus.

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse que a extensão destas moratórias abrange um universo de 35.000 milhões de euros (ME) de empréstimos e a suspensão de pagamento dos empréstimos e de juros representa à volta de 10.000 milhões de euros.

Pedro Siza Vieira disse que as famílias e a generalidade das empresas vão beneficiar do não pagamento das prestações de capital dos empréstimos até Setembro de 2021, mas terão de começar a pagar os juros desses empréstimos a partir de Abril próximo.

Contudo, “os sectores particularmente afectados pela pandemia”, como turismo, alojamento, transportes turísticos cultura e social vão beneficiar também da suspensão do pagamento de juros até Setembro de 2021, disse o ministro.

“O impacto (da pandemia) está a ser muito mais drástico e por isso quisemos beneficiar as empresas destes sectores”, disse Pedro Siza Vieira em conferência de imprensa.

Ele disse que “a avaliação que o Governo faz da situação económica é que relativamente à retoma, o ritmo de crescimento está a ser muito incerto e não se sabe como se vai comportar o mercado”.

O país, que tem cerca de 71 mil casos confirmados de coronavírus e 1.931 mortes, deve sofrer um golpe de 9,5% no seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, após ter crescido 2,2% em 2019, segundo o Banco de Portugal.

Esta é a segunda vez que o Governo estende esta moratória por mais seis meses.

O sector bancário de Portugal ainda está marcado por uma crise de dívida e aumento de empréstimos malparados (NPLs) após a recessão de 2010-13, que colocou grande pressão sobre os rácios de capital e levou ao colapso de bancos como o Banif em 2015.

Os bancos portugueses têm lutado desde então para reduzir o crédito malparado, tendo reduzido fortemente o rácio de ‘non performing loans’ para 6% do crédito total em Junho de 2020 contra o pico de 17,9% tocado em meados de 2016. No entanto, o rácio actual português ainda é o dobro da média europeia.

“O esforço muito significativo do sector bancário nesta fase só é possível pelo facto dos bancos se encontrarem capitalizados”, referiu Pedro Siza Vieira. (Por Sérgio Gonçalves; Editado por Patrícia Vicente Rua)