“Dados digitais são o novo petróleo”, diz especialista português


© Reuters. “Dados digitais são o novo petróleo”, diz especialista português

Luís Filipe Goes Pinheiro, Presidente do Conselho de Administração dos SPMS (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde português) explica-nos por que razão considera os dados digitais o “petróleo do presente”.

“Com dados digitais, o que se pretende é que os dados que são introduzidos uma vez sirvam todo o sistema, gerando informação que alimente todo um sistema. Na área da saúde, sem dados é impossível conhecer todo o historial clínico do utilizador, conhecer o efeito das várias ações empreendidas sobre um determinado utilizador e medir os resultados”, diz.

A COVID impulsionou a transição digital”Hoje em dia, num mundo cada vez mais digital, especialmente neste contexto pós-Covid, todos os dias surgem novas soluções novas aplicações para estes dados digitais que estão a surgir. É impossível não olhar para o que aconteceu nos últimos dois anos e tirar algumas conclusões a partir daí, que irão necessariamente ajudar a beneficiar os utilizadores dos sistemas de saúde no futuro.

As pessoas estão muito mais habituadas a utilizar ferramentas da sociedade da informação, tanto profissionais como utilizadores na sua vida quotidiana”.

Partilha de dados de saúde beneficia os cidadãos”É essencial que haja uma circulação de dados muito mais intensa e que haja um intercâmbio de dados de saúde muito mais eficaz para garantir que temos um verdadeiro mercado único no domínio da saúde, um mercado único de saúde com livre circulação de pessoas e livre circulação de serviços de saúde só será possível se os dados de saúde de cada um de nós não estiverem contidos dentro das nossas fronteiras.

Porque, nesta área, melhores dados, mais dados garantem melhores decisões e, portanto, melhores decisões de política pública, melhores decisões regulamentares, beneficiando todos os cidadãos europeus”.

Companhias aéreas temem impacto prolongado da guerra na Ucrânia


© Reuters. Companhias aéreas temem impacto prolongado da guerra na Ucrânia

As companhias aéreas estão a preparar-se para bloqueios potencialmente longos dos principais corredores aéreos entre a Europa e a Ásia, após a Bruxelas e Moscovo terem decretado proibições do espaço aéreo.

Cancelamentos de voos e desvios dispendiosos, estão a prejudicar a recuperação pós-pandemia da indústria e a desferir um golpe na indústria de leasing baseada principalmente na Irlanda, que foi obrigada a deixar de fazer negócios com as companhias aéreas russas.

“Henrik Hololei, diretor-geral para a Mobilidade e Transporte da Comissão Europeia, explica: Existem muitos redirecionamentos que impactam diretamente os voos da Europa para a Ásia que sobrevoavam o território russo. Penso que a companhia aérea que mais sofre na Europa, e lamento profundamente por ser uma grande companhia, com grandes produtos e grandes serviços, seja a Finnair, porque a Finnair tem de voar agora, por exemplo, para o Japão, mais 4 horas do que antes. E as outras companhias aéreas também, é claro, estão a sofrer nos seus voos da Europa para a Ásia, que são 1 a 2 horas mais longos do que costumavam ser, e queimam mais combustível, e tem mais custos…”

A Rússia também cancelou todos os voos para destinos europeus e alguns destinos da América Central devido ao encerramento do espaço aéreo canadiano.

Mas a guerra afeta fortemente também o transporte de mercadorias.

“O principal é quando olhamos também do lado do transporte. É, por exemplo, como tirar o cereal ucraniano do país, como ter capacidade suficiente para o deslocar para fora do país, porque eles querem e precisam de o vender. E há também uma enorme procura, a fim de evitar problemas com a segurança alimentar”.

Dados do serviço de rastreio de voo FlightRadar24 mostram céus vazios sobre a Ucrânia e partes da Rússia.

As companhias aéreas contornam a Ucrânia em corredores apinhados a norte e oeste, deixando um buraco no mapa da aviação.

As medidas sem precedentes visam pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, a acabar com a invasão da Ucrânia, o maior ataque a um Estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

A Rússia retaliou, proibindo companhias aéreas de dezenas de países, incluindo os 27 membros da União Europeia, depois de os ministros da UE terem concordado em recusar a entrada aos aviões russos, incluindo os jatos privados dos oligarcas do país.

Sem acesso às vias aéreas russas, os peritos dizem que as transportadoras aéreas terão de desviar voos para sul, evitando ao mesmo tempo áreas de tensão no Médio Oriente.

Os voos recentes de companhias aéreas europeias e norte-americanas para a Ásia foram forçados a fazer grandes desvios.

Os cancelamentos de viagens para a Rússia sucederam-se após a invasão da Ucrânia. As taxas de cancelamento mais elevadas, por ordem de volume, foram a Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha, Índia e Turquia.

A invasão também desencadeou um colapso no mercado russo de viagens para o estrangeiro. Os destinos que sofreram as mais altas taxas de cancelamento imediato foram Chipre, Egito, Turquia, Reino Unido, Arménia, e Maldivas.

EUA: Taxa de desemprego de volta a valores pré-COVID


© Reuters. EUA: Taxa de desemprego de volta a valores pré-COVID

No passado dia 6 de Maio, o US Bureau of Labor Statistics partilhou a mais recente actualização da taxa de desemprego dos Estados Unidos da América.

Os dados disponibilizados, relativamente a Abril de 2022, detalham uma taxa de desemprego que se mantém nos 3,6%, ligeiramente superior às expectativas (3,5%), mas igual à do mês anterior. No total, são 5,9 milhões de americanos sem emprego.

Atingindo valores pré-COVID

Os valores apresentados em Abril de 2022 começam a aproximar-se dos valores anteriores à pandemia e apresentam um contraste drástico para os de Abril 2021. Nomeadamente, enquanto em Fevereiro de 2020 rondavam os 3,5% (5,7 milhões de desempregados), em Abril de 2021 atingiram 6% (9,7 milhões).

Contudo, ainda são aparentes algumas marcas da pandemia: em Abril de 2022 o número de desempregados de longa duração (mais de 27 semanas) ronda os 1,5 milhões. Ou seja, mais 362 mil do que em Fevereiro de 2020.

Fonte: Investing

Adicionalmente, o número de empregados em profissões não-agrícolas desceu 1,2 milhões, ou 0,8%, desde o início da pandemia.

Apesar desta regressão, as vagas profissionais atingiram números recorde. Existem hoje, 11,5 milhões de posições por preencher e foram adicionados 428.000 novos empregos à economia americana. Estes números marcam o 11º mês consecutivo em que mais de 400.000 novas vagas foram criadas.

Estes valores estão principalmente alicerçados na gradual diluição das restrições, tendo já sido recuperadas 95% das vagas perdidas devido ao COVID-19. Porém, estima-se que estes números irão abrandar em breve.

Mercado Laboral contrai a par da alta inflação

Esta expectativa tem em conta o aumento moderado dos salários (5,5% nos últimos 12 meses), o aumento da inflação – que vem ampliar os custos de estrutura dos empregadores – e a escassez de trabalhadores dispostos a entrar no mercado.

“O mercado de trabalho está extremamente apertado e a inflação está demasiado alta”

Jeremy Powell, presidente da Reserva Federal, numa conferência de imprensa a 4 de Maio.

Reconhecendo que há um desequilíbrio claro entre a oferta e a procura de emprego, Powell indicou ainda que a Reserva Federal irá tomar medidas a fim de reduzir o actual excesso de oferta profissional.

Com a inflação a níveis não vistos há 40 anos, os empregadores serem obrigados a aumentar os salários para atrair trabalhadores apenas pressiona ainda mais a já flagrante inflação, o que explica a preocupação da Reserva Federal.

Uma tarefa complicada para a Reserva Federal

A par da inflação, do PIB e outros indicadores, a taxa de desemprego é um dos mais cruciais indicadores da saúde de uma economia.

Estando a inflação a atingir níveis preocupantes, as vendas de novas casas a abrandar consecutivamente, o PIB ligeiramente abaixo do período homólogo e o mercado do trabalho a passar por um excedente de oferta, a Reserva Federal terá de decidir cuidadosamente o seu próximo passo.

A Reserva Federal já agiu para reduzir a inflação através do aumento de 0,5% das taxas de juro e espera acalmar o mercado de trabalho gradualmente sem que exista um grande salto no desemprego, mas há quem tema que estas medidas preventivas mergulhem o país numa recessão.

Todos estes factores adicionados à profunda incerteza proveniente de toda a paisagem geopolítica e internacional provocaram uma das maiores quedas no desde 2020, caindo mais de 1000 pontos no dia 5.

É neste panorama traiçoeiro como areia movediça, onde um passo em falso pode significar a submersão ou asfixia, que a Reserva Federal necessita de ponderar criteriosamente o melhor caminho a seguir de forma a que a maior economia ocidental possa emergir sã e salva da intempérie que neste momento é apresentada à sua frente.

Será que a indústria da moda pode acabar com a “fast fashion”?


© Reuters. Será que a indústria da moda pode acabar com a “fast fashion”?

A moda é uma indústria no valor de 3 biliões de dólares, mas será que a “fast fashion” – a moda rápida – alguma vez sairá de moda? Conhecemos marcas de moda empenhadas em tornar os seus produtos sustentáveis, desde a “passerelle” até ao armário.  A indústria da moda é um gigante que inclui tudo, desde roupas a malas, sapatos ou roupa desportiva. Mas a grande geradora de dinheiro é a moda rápida – a produção rápida de vestuário vendido a baixo preço.

O mercado é inundado diariamente com milhares de novas criações, o que o torna num segmento lucrativo. Mas tudo isto tem um custo ambiental elevado. A indústria é responsável por 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis e consome 93 mil milhões de metros cúbicos de água todos os anos. Isto é suficiente para satisfazer as necessidades de cinco milhões de pessoas.

Uma das melhores formas de criar vestuário ético é utilizar tecido amigo do ambiente. Uma empresa que está no negócio das fibras e dos têxteis há mais de 50 anos é o Grupo Lenzing. Ao comprar uma peça de vestuário, deve ter notado que vem com uma etiqueta TENCEL.  Essa é a principal marca de tecidos da Lenzing, produzida com o mercado circular em mente para minimizar o impacto no ambiente.

Bem, penso que é sempre bom pensar em números e “zero” é, claro, um objetivo quando se fala em termnos de carbono neutro – zero carbono. Mas veja onde estamos hoje: estamos numa indústria que tem uma taxa de reciclagem de 1% – um, certo? Nós como indústria temos uma longa jornada à nossa frente, e isso também começa consigo e comigo como consumidores. Precisamos de tomar as decisões certas, comprar menos, comprar boa qualidade, lavar menos. Lavar menos as roupas, quero eu dizer. E depois, em conjunto, podemos levar essa indústria a produzir uma quantidade muito pequena de resíduos.

Stephan Sielaff CEO, Grupo Lenzing

No Catar, a moda sustentável está a ganhar força numa indústria que procura colocar Doha no mapa, como a capital da moda da região. A moda sustentável ainda é um conceito novo para a maior parte das pessoas do mundo. Mas aqui em Doha, há uma comunidade crescente de eco-fashionistas com o objetivo de se destacarem de forma sustentável.  A RSPR – é a primeira marca de roupa do Catar com uma coleção feita inteiramente com garrafas de plástico recicladas. A fundadora, Rina Saleh, utilizou, pela primeira vez, tecido antimicrobiano para fazer máscaras no início da pandemia.  Encomendas da família real do Catar catapultaram a marca para a popularidade.  Milhares de máscaras depois, Rina lançou a linha de roupa desportiva, RSPR, que chegou às prateleiras do Harvey Nichols e das Galeries Lafayette, em Doha.

É nossa responsabilidade educar os consumidores sobre quais são as vantagens e fazê-los perceber que fazer escolhas de moda ecológicas e éticas não significa que não estarão na moda e que não serão estilosos.

Rina Saleh Fundadora, RSPR

Rina já está pronta para lançar uma segunda coleção, prometendo os lucros a causas sociais de todo o mundo. A moda sustentável no Catar também está a ganhar forma, de outras formas.

Alunos do ensino secundário executam o Projeto Upcycle. A iniciativa ganhou recentemente o prémio “Global Act with Impact” da THIMUN Qatar, por dar uma vida nova a roupas velhas.

 Como vimos no mundo da arte e do investimento, os NFTs e o Metaverso também estão a dominar o mundo da moda. Marcas e grandes armazéns comerciais estão a entrar na tendência, ao disponibilizar roupas exclusivas no mundo virtual. As plataformas digitais foram identificadas como os principais impulsionadores do crescimento, mas será que também podem ajudar a acabar com a fast fashion, a moda rápida?

É uma ótima pergunta, porque acho que a grande questão, como sabe, é: será que o crescimento e a sustentabilidade são compatíveis? Acho que o metaverso é muito claro. Pode ser muito sustentável agora porque é digital Acho que há oportunidade de crescimento claramente no lado digital, mas é preciso ser de forma sustentável. E, por outro lado, a sustentabilidade, deve surgir de uma forma que seja valorizada pelos clientes e representar uma oportunidade de negócio viável para as marcas.

Achim Berg Sócio sénior da McKinsey and Company

“Negócios em 60 segundos”

  • França divulga dados sobre a inflação para o mês de abril. A inflação tem vindo a aumentar constantemente desde janeiro, impulsionada pelo aumento dos preços da energia. As pressões inflacionistas estão a tornar-se mais generalizadas em todos os setores da economia, mas ainda estão de acordo com o objetivo do BCE.
  • A empresa alemã de semicondutores Infineon (ETR:) comunica os seus ganhos do segundo trimestre. No início deste ano, a empresa aumentou a sua previsão de receitas para 2022 para quase 15 mil milhões de dólares. O principal fornecedor mundial de chips para a indústria automóvel recebeu um impulso à medida que cada vez mais mercados de automóveis fazem a mudança para veículos eléctricos.
  • E uma das maiores lojas online de segunda mão do mundo – a ThredUp – divulgou os resultados do primeiro trimestre. A empresa norte-americana está a tentar fechar o primeiro ano cotada no , com outro forte trimestre. A ThredUp tem assistido a números recorde de compradores ativos e primeiros compradores na sua plataforma, nos últimos três trimestres.

Depois de alguns anos difíceis, a indústria da moda está a regressar aos padrões de consumo pré-pandemia, o que é um bom presságio para as vendas gerais.  Mas a rápida ascensão da moda ultrarrápida não está apenas a causar níveis alarmantes de danos ambientais, está também a ampliar as diferenças salariais e a preocupar os compradores. As marcas de vestuário devem começar a levar a sério as práticas éticas para que o setor cresça de forma sustentável.

Fórum da Aviação do Futuro em Riad após dois anos difíceis devido à pandemia


© Reuters. Fórum da Aviação do Futuro em Riad após dois anos difíceis devido à pandemia

O Ministro dos Transportes da Arábia Saudita abriu o Fórum inaugural da Aviação do Futuro, em Riad. O evento de dois dias reuniu mais de 120 oradores e mais de dois mil participantes – representando a indústria global de aviação.

Este fórum representa uma oportunidade para que líderes e todos os elementos do setor se reúnam para discutir questões comuns sobre os desafios iminentes ou atuais que estamos a enfrentar juntos, para que o setor volte ao normal. Discutindo também as questões de longo prazo, como por exemplo, a sustentabilidade, inovação e o novo avanço tecnológico.

Saleh bin Nasser Al-Jasser Ministro saudita dos Transportes e Serviços Logísticos

O Fórum da Aviação do Futuro acontece após um ano muito difícil para a indústria pós Covid-19. Uma sondagem recente do YouGov indicou que dois terços das pessoas optaram por não viajar em 2021. A mesma sondagem mostrou que 46% dos residentes do Golfo, 32% dos norte-americanos, 40% dos italianos e 40% dos britânicos acreditam que os regulamentos de saúde confusos os vão impedir de voar em 2022. No Fórum, a Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita, ou GACA, anunciou a intenção de tornar as viagens menos confusas, para passageiros, transportadoras aéreas e governos.

A política de harmonização de viagens aéreas foi elaborada em cooperação com a Organização de Aviação Civil Internacional da ONU. Será um recurso on-line claro mostrando os requisitos de entrada nos países.

Quando as pessoas estão estressadas ou se existe ansiedade, as pessoas simplesmente não viajam. É preciso pensar no passageiro e no que é preciso para devolver a confiança aos passageiros, para que voltem a viajar.

Jean-Marc Bourreau Sócio, Consum Aviation

E houve um grande foco na sustentabilidade no Fórum – foi um dos três temas-chave. Empresas e companhias aéres mostraram o seu entusiasmo em investir em inovações para reduzir as emissões de carbono e proteger o meio ambiente.

A aviação não pode depender do passado continuamente, deve olhar para o futuro. A sustentabilidade é uma obrigação – uma obrigação. É preciso continuar o processo de redução das emissões de carbono, com um objetivo claro de um possível índice de descarbonização em 20, 30 anos.

Salvatore Sciacchitano Presidente do Conselho, Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO)

Combustíveis de aviação sustentáveis são definitivamente o futuro. Fazem parte da solução. São uma grande parte da solução. Mas que tipo de combustível de aviação sustentável? Isso também é algo ainda indefinido.

Henrik Hololei Diretor Geral para a Mobilidade e Transportes, Comissão Europeia

As grandes ambições da Arábia SauditaO World Travel and Tourism Council prevê que os lucros de viagens e turismo do Médio Oriente possam chegar a 233 mil milhões de euros este ano. A Estratégia Nacional do Setor de Aviação da Autoridade Geral da Aviação Civil para a Arábia Saudita pretende aumentar as ligações do Reino para 250 destinos, atingindo 330 milhões de passageiros. Medida apresentada juntamente com o anúncio de nova companhia aérea saudita. Grandes ambições, já que a Arábia Saudita procura garantir a sua participação no mercado do turismo em recuperação.

“A estratégia tem metas muito ambiciosas para viabilizar o turismo, para viabilizar também as estratégias nacionais de transporte e logística; e quer triplicar o número de passageiros até 2030″, explicou Mohammed Al Khuraisi, Vice-presidente de Estratégia e Inteligência de Negócios, Autoridade Geral de Aviação Civil (GACA). “A forma de fazer isso é aumentando a capacidade; aumentando as nossas operadoras nacionais atuais, convidando mais transportadoras estrangeiras para se ligarem ao reino e lançando uma nova companhia aérea”, concluiu.

Governo espanhol aprova licença menstrual de três dias


© Reuters. Governo espanhol aprova licença menstrual de três dias

O governo espanhol avançou, esta terça-feira, com uma medida inédita na Europa: uma licença especial de 3 dias para mulheres que sofrem com fortes dores menstruais. Trata-se de uma baixa laboral por incapacidade temporária, que será assumida na íntegra pelo Estado. Esta medida está a ser vista de forma muito positiva pelas mulheres.

Andrea Garcia, uma cidadã espanhola, disse que olha para esta medida como algo muito positivo e explicou que, muitas vezes, as mulheres têm muita dificuldade em trabalhar devido às dores fortes provocadas pela menstruação.

“Acabamos por trabalhar com a ajuda de analgésicos e anti-inflamatórios. Não existe outra opção”.

Esta proposta provocou controvérsia no seio do governo, mas apesar disso, vai mesmo avançar. Em Espanha, vêm esta aprovação como um pequeno passo para proteger as mulheres que sofrem durante o período menstrual.

Vanessa Pérez, outra cidadã espanhol, considerou que este é um pequeno passo que contribui para a evolução da sociedade, mas recordou que a licença de maternidade também demorou a ser aprovada.

Para Isabel Rancaños, também espanhola, há a necessidade de educar as empresas e a sociedade para que exista mais sensibilidade relativamente a esta questão.

Esta licença menstrual, de três dias, que poderá ser alargada em casos mais graves, faz parte um vasto pacote de medidas de saúde reprodutiva, que inclui alterações à lei do aborto. As jovens espanholas, a partir dos 16 anos, passam a poder abortar sem autorização dos pais.

A lei deixa, contudo, de fora a redução do IVA nos produtos de higiene, nomeadamente, pensos higiénicos e tampões, uma promessa que tinha sido feita pelo governo.

Edição 2022 do Arabian Travel Maket centra-se no investimento no setor do turismo


© Reuters. Edição 2022 do Arabian Travel Maket centra-se no investimento no setor do turismo

A edição 2022 do Arabian Travel Market centrou-se no Médio Oriente como centro financeiro para investimentos turísticos a nível mundial.

Durante quatro dias, especialistas do setor exploraram oportunidades de investimento regional, descobriram novos modos de financiamento e criaram redes de contacto internacionais.

“Trabalhámos muito nos últimos doze meses para reunir toda esta energia e centrar-nos no crescimento futuro, ao longo de quatro dias”, sublinhou Danielle Curtis, diretora das exposições do Arabian Travel Market.

O evento é uma montra para os países que procuram atrair novos mercados turísticos. “Temos um clima perfeito. E experiências surpreendentes que podem ser vividas durante todo o ano e não apenas no Verão, e, em todo o país. É possível fazer muitas coisas, das praias ao esqui. Podemos dizer que a Espanha é um mundo num país”, afirmou Daniel Rosado Bayon, diretor do Gabinete de Turismo de Espanha.

Número de passageiros deverá rondar os 4 mil milhões em 2024O investimento financeiro no setor do turismo foi um dos temas da edição 2022. Uma empresa sediada no Dubai anunciou a abertura de cinco hotéis nos Emirados Árabes Unidos.

“O nosso programa de expansão baseia-se no facto de nos sentirmos confiantes sobre o potencial dos nossos investimentos. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de ocupação hoteleira do Dubai foi de 92%. É um número recorde que mostra bem as capacidades reais. E com o Campeonato Mundial da FIFA no final do ano e o abastecimento do Dubai penso que há muitas oportunidades”, disse Mark Kirby, responsável do Emaar Hospitality Group.

Segundo as estimativas da Associação Internacional de Transporte Aéreo, o número total de viajantes deverá rondar os 4 mil milhões em 2024, o que estimula os investimentos.

“Pode ver esse estímulo nos novos produtos em exposição, nos aeroportos e companhias aéreas que estão presentes aqui, no Arabian Travel Market. Podemos constatar que o setor está, sem dúvida, numa trajetória ascendente”, concluiu Danielle Curtis.

A 29ª edição da maior exposição de viagens e turismo do Médio Oriente contou com 500 expositores, representantes de 158 destinos turísticos e 20 mil participantes.

Arranca em Davos o Fórum Económico Mundial


© Reuters. Arranca em Davos o Fórum Económico Mundial

O Fórum Económico Mundial que começa este domingo, em Davos.

A pandemia obrigou o evento a ser adiado de janeiro para maio.

Também por causa da pandemia, desde 2020 que as montanhas suíças não recebiam esta multidão de pessoas que se reúnem anualmente para falar das grandes questões da Humanidade.

Este ano os 2500 participantes têm como tema base de reflexão “A história num ponto de viragem: políticas governamentais e estratégias empresariais”.

Uma reflexão com a guerra na Ucrânia como pano de fundo. O economista Klaus Schwab, fundador do Fórum, garantiu que Davos fará todo o possível para apoiar a Ucrânia e a sua reconstrução.

A Rússia foi excluída do evento e, simbolicamente, este ano em vez da Casa da Rússia haverá em Davos a Casa dos “Crimes de Guerra da Rússia”, uma iniciativa do governo ucraniano e de um mecenas do país.

De 22 a 26 de maio, para além da questão da Ucrânia, e dos seus efeitos sobre a economia global, líderes políticos, económicos, empresariais e da sociedade civil, abordarão questões como mudanças climáticas, desigualdade de género ou o surgimento do metaverso, sem esquecer a pandemia que continua a ser um grande desafio.

O evento deste ano acontece no momento geopolítico e geoeconómico mais desafiante das últimas décadas. Davos constitui um ambiente único para criar ligações, discutir ideias e propor soluções para os problemas urgentes da Humanidade. O mundo espera ainda mais do Fórum Económico Mundial 2022.

Ucrãnia é tema central no Fórum de Davos


© Reuters Ucrãnia é tema central no Fórum de Davos

Na edição deste ano do Fórum Económico Mundial de Davos, a guerra na Ucrânia é um tema incontornável e o presidente Volodymyr Zelenskyy foi o orador mais aguardado. No discurso, reforçou o pedido de apoio ao ocidente, para melhor enfrentar as armas russas.

A Euronews ouviu ainda a antiga ministra ucraniana das Finanças, Natalie Ann Jaresko, e visitou a Casa dos Crimes de Guerra Russos, uma exposição sobre as atrocidades cometidas na Ucrânia instalada na antiga sede da delegação russa em Davos.

África do Sul tenta captar financiamentos em Davos


© Reuters. África do Sul tenta captar financiamentos em Davos

Delegados de todo o mundo reuniram-se no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça. Agora presencialmente, depois de duas edições exclusivamente em linha.

Enquanto o mundo enfrenta desafios sem precedentes com a guerra na Ucrânia e as réplicas económicas da Covid-19, muitos países – incluindo a África do Sul – estão a emergir da recessão induzida pela pandemia com ambições para o futuro.

A agência de notação de crédito Standard and Poor’s Global acaba de atualizar as suas perspetivas para o país.

“Tem havido uma perceção negativa sobre a política de crescimento da África do Sul, incerteza e fatores negativos. O que estamos a fazer aqui é tentar apresentar a história do que está a acontecer no terreno, esta grande transformação, a política Governamental em torno do poder, a concentração nas energias renováveis, a trajetória de crescimento tanto ligada aos mercados financeiros como às mercadorias e o interesse renovado dos investidores estrangeiros pela África do Sul. Numa base relativa, a África do Sul encontra-se, agora, numa posição favorável em relação aos parceiros dos BRICS”, refere a diretora executiva da Bolsa de Valores de Joanesburgo, Leila Fourie.

Como a maioria dos países, a África do Sul não escapou à pandemia, sofrendo com a perda de vidas e de meios de subsistência.

Contudo, o Governo respondeu à crise, a nível interno, e liderou uma aliança internacional de modo a obter vacinas para o continente africano.

A ministra sul-africana para os Assentamentos Humanos, Mmamoloko Kubayi, afirma que “como país, o que temos sido capazes de fazer não é apenas falar por nós próprios, em termos de acesso à vacina, mas sermos a voz do continente e dizermos à comunidade global ‘não vamos ficar com todas as vacinas’, mas assegurar a equidade da vacina para que todas as nações possam ter acesso às vacinas para que operem em segurança e se recuperem. Isto fez de nós um líder em termos de falar em nome dos mais vulneráveis”.

A economia da África do Sul começou a recuperar em 2021, crescendo 4,9%.

O investimento direto no país, proveniente do estrangeiro, teve um incremente, no ano passado, de 36 mil milhões de euros.

Lançada na Conferência da ONU sobre Mudança do Clima de 2021, a Parceria para a Transição da Energia Justa visa apoiar a África do Sul a descarbonizar a economia.

Até oito mil milhões de euros estarão disponíveis nos próximos três a cinco anos. Um apoio essencial para a contínua recuperação do país.

“É absolutamente crítico. O nosso sistema energético está literalmente em colapso. O nosso plano de recuperação económica não tem qualquer hipótese se o sistema energético não for fixo e, por isso, há todo um conjunto de mudanças regulamentares necessárias para garantir que enfrentamos os nossos desafios, mas precisamos de um investimento internacional e local significativo na transição energética… Se fizermos isso bem, é de facto o futuro da África do Sul”, sublinha o presidente do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento da África do Sul, Mark Swilling.

Sendo o 7º maior produtor mundial de carvão, a África do Sul tem um grande número de empregos no setor e o Banco de Desenvolvimento quer certificar-se de que não são os trabalhadores a pagar o preço da transição.

O diretor executivo para a área do Desenvolvimento do Banco de Desenvolvimento da África do Sul, Patrick, Dlamini, afirma que “Como país, e com os nossos parceiros internacionais, precisamos de começar a dizer como fazemos a transição de uma forma responsável e sem prejudicar a economia. De uma forma que a torne ainda melhor porque somos uma nação com enormes desafios triplos – desemprego, desigualdade e pobreza – por isso, se somos país com tantas contrariedades, então precisamos de dizer como migramos cuidadosamente e transformamos a nossa economia de uma forma que crie mais empregos, de uma forma que crie uma economia muito mais inclusiva e é aqui que poderemos ter acesso a esses investidores internacionais”.

Não se trata apenas de investir nas grandes empresas. As pequenas e médias empresas e as empresas sociais têm um papel vital a desempenhar na recuperação contínua do país. Podem mesmo ser a chave para atrair investimento através de uma mudança do paradigma dos negócios como sublinha a diretora executiva da RLABS, Rene Parker:

“Quando fazemos negócios, e fazemos bons negócios… Para as empresas sociais, essa é a sua filosofia e deve tornar-se a norma, mesmo para as grandes empresas. Devemos fazer bons negócios, devemos estar conscientes do ambiente, das pessoas à nossa volta, das nossas comunidades, é algo que deve ser inato quando fazemos negócios”.

Como em todas as conferências internacionais, o êxito do encontro só se faz sentir nos próximos anos, mas a mensagem da África do Sul é aberta e amigável para o investimento num mundo pós-pandémico.